Imigrantes avaliam mudança de nome da Holanda

País lança campanha para reforçar nome oficial, porém mudança não deve acontecer tão cedo

Lembrada pelo cultivo de tulipas, pelos inúmeros pontos turísticos, uso de bicicletas, moinhos de vento e cultura igualitária e não discriminatória, a Holanda surpreendeu o mundo recentemente com uma notícia: quer mudar de nome. O governo do País decidiu não mais se apresentar como Holanda e lança uma campanha para que seja internacionalmente reconhecido como Países Baixos.
A campanha deve começar até o final deste ano e se fortalecer no Festival Eurovisão da Canção, que acontece em maio de 2020 em Roterdã. Além disso, o site oficial deixa de se chamar holland.com e o nome Países Baixos também será reforçado na apresentação da seleção de futebol e nas Olimpíadas 2020. A denominação Netherlands (Países Baixos), na verdade, é comumente vista em diversos locais, como em placares de jogos de futebol internacionais.

O País recebeu o nome oficial de Países Baixos a partir de 1830, no entanto, acabou sendo reconhecido pelo nome Holanda devido à província homônima que era a mais rica, populosa e politicamente poderosa durante a Era de Ouro Holandesa. Atualmente, além da Holanda do Norte e Holanda do Sul, agora separadas, mais dez províncias compõem o País e o Governo pretende com essa campanha promover o nome oficial, o turismo e a valorização das demais regiões.

A Holanda fora da Holanda

O nome Holanda também é forte nas colônias de imigrantes em outros países. A região dos Campos Gerais (PR), por exemplo, é famosa pela cultura mantida pelos imigrantes e cooperativas criadas a partir da experiência em agronegócio, como a produção de carne, leite e grãos. Cooperativas como Frísia, Castrolanda e Capal, que integram a marca Unium e contemplam inclusive a indústria de alimentos suínos Alegra, ocupam posição de destaque no mercado nacional e internacional.
A imigração no Paraná é variada: Carambeí possui imigrantes da Holanda do Sul e Frísia e, Castrolanda e Arapoti, além de imigrantes da Frísia, também de Overissel e Drente. Apesar da descendência de outras províncias, a campanha para fortalecer o nome Países Baixos não deve afetar as colônias da região. “Não creio que essa mudança terá algum impacto local. Não existe a mínima possibilidade de os produtos comercializados pelas cooperativas com o adjetivo holandês terem seus nomes alterados. Holanda continua sendo um nome comercial muito forte”, opina o professor e secretário internacional da Associação Cultural Brasil – Holanda (ACBH), Johan Elbertus Scheffer.

Para o professor, a campanha de mudança de nome também não deve influenciar o turismo nas demais províncias da Holanda, e sim uma campanha que valorize os pontos turísticos das demais regiões. “Para os imigrantes, que têm amplo conhecimento das suas raízes, isso não vai mudar. E, os turistas, acredito que continuarão a se referir ao País como Holanda. O tempo nos dirá”, comenta.

Dos quesitos turismo e cultura, os imigrantes sediados no Paraná entendem bem. As colônias preservam a cultura e as tradições holandesas com aulas de língua, coral, grupos folclóricos, entre outras atividades que contam com o apoio da ACBH. A associação edita também uma revista escrita em português e holandês, que reúne matérias de todas as colônias holandesas no Brasil. Já o turismo da região é fortemente movimentado pelos memoriais e museus sediados no Parque Histórico de Carambeí, Centro Cultural Castrolanda e Museu do Imigrante Holandês, em Arapoti (PR).

Por: Central Press.