Castrolanda

Castrolanda se configura como uma colônia no município de Castro (PR), organizada por imigrantes holandeses que aqui se estabeleceram em meados de 1950, quando houve o deslocamento de mais de 50 famílias, em sua maioria provenientes do Norte da Holanda.

No pós-Segunda Guerra Mundial, a Europa mergulhou em uma profunda crise econômica, moral e política, despertando a necessidade de grupos emigrarem e buscarem em outras localidades uma forma de reconstruir suas vidas. Na Holanda, a área de produção agropecuária passou a ser reduzida comparada ao número de habitantes e imigrar tornou-se uma opção viável para aqueles que pretendiam ampliar suas posses e manter seu núcleo familiar unido.

Em solo brasileiro as discussões se mostravam favoráveis à imigração no final da década de 1940, quando o Governo Dutra com auxílio da colônia de Carambeí enviou um pedido à Central Cristã de Emigração e à Associação Cristã de Granjeiros e Horticultores na Holanda a fim de constituir um projeto para estudar a proposta de receber e alocar imigrantes neerlandeses em território brasileiro.

Os projetos analisados por uma comitiva holandesa em solo nacional foram as terras da região de Bagé e Taím, no Rio Grande do Sul e Castro, no Paraná. Castro foi escolhido principalmente por causa da proximidade com a Colônia de Carambeí e a oferta feita pelo Governo do Estado do Paraná que garantia o repasse de terras mediante empréstimo a longo prazo.

Todo o planejamento estruturado ainda na Holanda permitiu a fundação da Cooperativa Castrolanda e proporcionou que em 30 de novembro de 1951 o primeiro grupo imigrante se estabelecesse na Nova Pátria. Nesta data a Colônia de Castrolanda foi oficialmente instituída, sendo seu nome oriundo da junção do país de origem – Holanda – e do município da nova moradia – Castro.

Uma das principais características retratadas pelos moradores da colônia é a questão da união, representada através dos valores protestantes constituído de três pilares de desenvolvimento – a educação, a religião e o cooperativismo. Pautada nesses valores, a culturalidade em Castrolanda é organizada, tendo por base a dualidade entre as tradições herdadas na Holanda e alguns signos brasileiros incorporados em sua identidade ao longo dos anos.

Atualmente a Colônia Castrolanda está inserida como um bairro no município de Castro, possuindo em torno de três mil habitantes distribuídos na área central da colônia e nas propriedades rurais. Estima-se que em torno de setecentos e cinquenta moradores da comunidade sejam imigrantes e descendentes de holandeses. A colônia ainda mantém traços da cultura da “velha pátria”, presente na arquitetura das casas do centro, na manutenção dos valores religiosos e culturais, no aprendizado do ensino de língua holandesa e nas tradições típicas como: festas, datas comemorativas, personalidades holandesas, entre outros.

Os museus e outros lugares de memória são definidos como espaços que permitem a representação de lembranças em comum dos indivíduos da mesma comunidade, construindo uma narrativa coletiva própria e de certa forma unificadora. Nesse contexto se configuram como espaços de preservação e transmissão da memória da comunidade.

O primeiro espaço museal em Castrolanda, foi o Museu Casa do Imigrante Holandês de 1991, com uma arquitetura em madeira, como as primeiras casas construídas pelos pioneiros holandeses, composta por uma junção de residência e estábulo.

Nas comemorações do cinquentenário da Colônia, em 2001, foi inaugurado o Moinho “De Immigrant”, sendo uma réplica funcional, em tamanho original do moinho de farinha “Woldzigt”, situado na província de Drenthe, no norte da Holanda, região de origem da maioria das famílias imigrantes de Castrolanda. No Moinho foi instalado o Memorial da Imigração Holandesa, constituindo-se como o segundo espaço de memória de Castrolanda.

O Centro Cultural Castrolanda, inaugurado em 2016, se propõe a valorizar e preservar a identidade dos imigrantes fundadores da colônia. O complexo é formado por dois espaços museais abertos à visitação: O Memorial da Imigração Holandesa – Moinho “De Immigrant” e o Museu Histórico de Castrolanda.

Na edificação do Moinho, a torre abriga além da estrutura para moagem de grãos movida pelo vento, exposições voltadas à narração histórica de diferentes setores da comunidade de Castrolanda, como o cooperativismo e o senso de união, além de exposições culturais com foco na trajetória do Grupo Folclórico Holandês de Castrolanda, a fabricação de tamancos de madeira e a origem dos moinhos de vento.

O Museu Histórico de Castrolanda, uma construção típica da região nordeste holandesa, remete às antigas casas de fazenda denominadas “Boerderij”. O espaço abriga uma exposição sobre a trajetória histórica da comunidade e o acervo vindo do museu Casa do Imigrante Holandês. O museu também conta com ambientações técnicas necessárias ao trabalho da instituição com acervos bidimensionais (documentos e fotografias) e tridimensionais (objetos em geral).

Desta forma o Centro Cultural Castrolanda é um espaço cultural que valoriza a conjuntura histórica da colônia e garante a preservação e a perpetuação da memória da comunidade de Castrolanda.

Texto adaptado do artigo:
CORREA., João P.; LIMA, Samara H.; SELAU, Maurício S. Um museu em desenvolvimento: a experiência do Centro Cultural Castrolanda – Castro PR. In: IV Congresso Internacional História, Regiões e Fronteiras., 2018, Passo Fundo. Anais da IV CIHRF. Passo Fundo: PPGH/UPF, 2018. v. 2.

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