Arapoti

Histórico resumido da comunidade de Arapoti, Paraná – Brasil.

Uma visão geral da história da colônia holandesa de Arapoti, começando a partir do desenvolvimento da atividade cooperativa dos imigrantes em seus primeiros 50 anos. Entende-se a comunidade pelo conjunto: cooperativa, igreja, escola e todos os que fazem parte destas instituições.

Em 1958 foi elaborado um planejamento detalhado pela ‘Cooperativa de Imigração’, com a finalidade de fundar uma nova colônia para reforço e ampliação das colônias de Carambeí e Castrolanda. Contudo, quando este plano estava para ser realizado em 1960, a situação já havia se alterado de tal forma, que, com os recursos e as possibilidades de exercer as atividades agropecuárias desaparecendo, o risco de fracasso estava se tornando muito grande.

Para fundar a nova colônia holandesa, próximo das duas já estabelecidas no Paraná, foi adquirida a fazenda Bela Manhã em Arapoti, localidade cujo nome significa campo de flores em língua indígena.

Na década de 1960 a diretoria da recém-constituída Cooperativa Agropecuária Arapoti Limitada (CAPAL) praticamente não conseguia fazer planos de estruturação, melhorias e ampliações. O Brasil passava por grande instabilidade econômica, o que foi melhorar no final da década, sendo um pouco menos difícil para os imigrantes. Uma parte significativa deles voltou para a Holanda ou seguiu para outro lugar no período de 1964 a 1967. De todas as famílias que se estabeleceram em Arapoti, incluindo os jovens agricultores das colônias irmãs que haviam comprado terras, quase a metade chegou a partir ou desistir.

Em 1971 o consultor e agrônomo holandês aconselhou o presidente A. F. Kool a desistir da colônia, depois de tantos já terem partido, com a opinião de que o plano não iria dar em nada. A resposta do presidente se tornou legendária na comunidade: ‘Meu caro, o senhor pode falar o que quiser, mas nós vamos continuar!!’

Uma mudança positiva aconteceu a partir de 1969, quando a agricultura ganhou mais espaço e novas perspectivas se abriram. Investimentos em secadores e silos foram efetuados, além da inauguração de um escritório e uma mercearia. No período de 1973 a 1994 o desenvolvimento de Arapoti prosseguiu, sendo devagar nos primeiros anos. Com a agricultura e a pecuária trabalhando em escala de produção maior e, por meio de pesquisa e assistência técnica, a produção foi melhorando. Até perto de 1980 o governo apoiava a agricultura em grande escala, o que possibilitou a formação de empreendimentos maiores.

O balanço feito em 1985, quando Arapoti comemorava seu jubileu de prata, mostra que o projeto de colonização estaria fadado ao fracasso, se não fossem esses três fatores: a persistência dos colonos que permaneceram; a construção de uma fábrica de recepção de leite da CCLP na colônia em 1962, da qual os arapotianos se tornamos sócios numa década em que a pecuária era o único ramo com renda certa; e os programas do governo, que levaram a agricultura e a pecuária a um patamar mais moderno. Também vale mencionar que, comparado a 1960, a cidade de Arapoti já estava bem mais desenvolvida no setor de serviços.

Outra crise nacional foi enfrentada de 1994 a 1997. Já fazia alguns anos que todo o setor agrícola estava em baixa, afetando a situação financeira da CAPAL, não necessariamente de toda comunidade. Por causa desta crise, outras cooperativas entraram em colapso, inclusive as duas cooperativas centrais das colônias paranaenses. Principalmente a queda da ‘Cooperativa de Laticínios’ (CCLP) teve grandes consequências para as três colônias.

A partir de 1997 até aqui (2010), as coisas mudaram. Após drásticas medidas financeiras tomadas pela CAPAL, foi elaborado um plano para dobrar o movimento em cinco anos. Este plano fez a cooperativa crescer economicamente, e toda a comunidade, rumo ao cinquentenário.

A história da comunidade de imigrantes em Arapoti está diretamente relacionada às histórias dos cooperados. Considerando a capacidade e a possibilidade de prosperar de cada um, para alguns foi mais difícil desenvolver a atividade agropecuária do que para outros. A igreja e a escola, passando pelos mesmos períodos históricos, geralmente se encontravam em situações parecidas, ora sendo levados e ora tomando a frente em questões de liderança da comunidade. Assim como os outros setores da comunidade, também tiveram dificuldades de ordem financeira.

No início da colônia também houve muita diversão. Florus Bosch logo começou a organizar um grupo de equitação para jovens, e outros esportes seguiram. Foram organizadas muitas atividades na colônia, como partidas de futebol, piqueniques e acampamentos nos rios, tudo de maneira simples e modesta, eram as possibilidades de entretenimento na época. Muitos pastores passaram no decorrer dos anos, ajudando tanto na área espiritual como na social.

A imigração holandesa em Arapoti teve sucesso. Os descendentes começaram gradativamente a sair para estudar, a procurar outras profissões e se casar com moradores locais e, dessa forma, concretizando a integração dos imigrantes na sociedade brasileira. O que foi realizado por este grupo de pessoas, assim como por outros grupos estabelecidos, pode parecer comum, mas é muito especial. Na emigração individual é praticamente impossível se integrar na sociedade local e ao mesmo tempo conseguir manter normas e valores da cultura de origem.

A história da colônia e da cooperativa está sendo preservada por meio da colaboração de muitas pessoas e comissões. Além disso, a Sra. Tiny de Jager Salomons escreveu um livro sobre a história dos cinquenta anos da colônia. O museu que quer preservar toda esta história foi organizado na antiga fábrica de leite, que passou por reformas.

Atrás do Museu do Imigrante Holandês encontra-se o parque com espaço para encontros e festividades. As três edificações simbolizam as bases nas quais o êxito da colonização está fundamentado.

A réplica da sala de ordenha representa o pecuarista autônomo que, individualmente, construiu sua chácara, tentando desenvolvê-la conforme sua própria visão e empenho. O escritório e armazém da cooperativa caracterizam o sistema econômico em uma base cooperativista, que foi indispensável para que esse grupo de emigrantes tivesse êxito num país como o Brasil. A Igreja, incluindo a escola cristã, revela a convicção da comunidade de que todo trabalho poderia e deveria ser realizado na dependência de Deus, e que também por Ele seria abençoado.

Desta forma, o Museu do Imigrante Holandês concluído antes do jubileu vem se estabelecendo como herança cultural da colonização holandesa em Arapoti.

Texto adaptado a partir de:

50 anos da Colônia de Arapoti, resumo histórico escrito por Lukas Salomons por ocasião das comemorações do cinquentenário em 2010.
Fonte: Facebook Museu do imigrante holandês, 2012. Acesso em 31 ago 2019.

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Arapoti – história de uma das três colônias holandesas no estado do Paraná, conhecidas como Colônias ABC, onde A representa a colônia de Arapoti.

 

Com a finalidade de fundar uma terceira colônia holandesa de imigrantes evangélicos no Estado do Paraná, foi comprada uma área de 5 mil hectares no município de Arapoti. A população desta nova colônia não seria formada apenas por imigrantes que viriam da Holanda, mas também por jovens fazendeiros das duas colônias holandesas já existentes: Carambeí e Castrolanda. O primeiro grupo de imigrantes da Holanda chegou em junho de 1960, construindo casas e iniciando as primeiras culturas. Houve alguns experimentos com o cultivo de arroz, mas a seca e outros contratempos fizeram a maioria dos agricultores mudar para a pecuária de leite. Em 1963 foi inaugurada uma nova usina de leite e, através da Cooperativa Central de Laticínios do Paraná Ltda., foram produzidos e vendidos os produtos derivados de leite.

A pecuária de leite foi, sem dúvida, a principal atividade econômica e fonte de renda durante os primeiros 20 anos da colônia Arapoti.

Também nesta colônia três elementos básicos sempre tiveram toda a atenção: a cooperativa, a igreja e a escola. Estas três entidades definem, até o dia de hoje, a vida econômica, cultural e religiosa da comunidade. Há, porém, uma grande diferença: se no passado a língua holandesa era predominante, hoje a língua portuguesa é o principal meio de comunicação.

Toda imigração em grupo encontra as suas dificuldades iniciais Assim também a colónia Arapoti. A fase de pioneirismo foi longa demais por motivos financeiros e econômicos e a inesperada diminuição de novos imigrantes fez com que a comunidade permanecesse pequena.

Os anos 70 contribuíram positivamente para melhorar a situação econômica quando o governo colocou em funcionamento vários programas agrícolas subsidiados para tornar o Brasil um moderno país agrícola. A Colônia, sob a direção da CAPAL (Cooperativa Agro-Pecuária Arapoti Ltda.), soube aproveitar plenamente esta nova situação. As fazendas aumentaram suas áreas cultivadas e, ao lado da pecuária leiteira, a suinocultura e a avicultura tornaram-se importantes atividades.

A agricultura cresceu: nos anos 70 com a cultura da soja, nos anos 80 do milho e por volta dos anos 90 a cultura de feijão. Hoje em dia a agricultura é a atividade econômica mais importante da colônia.

Não apenas a colônia passou por um período de crescimento e desenvolvimento, mas também o município como um todo. Quando em 1960 a colônia foi fundada, Arapoti era uma vila com 700 habitantes; hoje conta com 21 mil habitantes e até certo ponto é auto-sustentável.

Ao lado da agricultura e pecuária, a silvicultura tornou-se uma atividade econômica muito importante, porque com as florestas surgiram serrarias e fábricas de papel.

Como consequência industrial das atividades agropecuárias, a CAPAL mantém uma fábrica de rações, compra as sementes, adubos, insumos e se encarrega da venda dos produtos de origem agrícola e animal.

Também a integração das pessoas de origem holandesa na sociedade brasileira passou por grandes mudanças. Inicialmente considerado um grupo mais ou menos isolado de pessoas que estavam tentando construir uma nova vida em terra estrangeira, logo começou a desenvolver-se uma certa maneira de integração no terreno econômico. Principalmente dentro da cooperativa, através da colaboração dos funcionários brasileiros e das atividades de compra e venda. A partir dos anos 70, brasileiros se tornaram associados da cooperativa com representantes na diretoria.

A escola evangélica particular, ou “a escola da colónia holandesa”, tinha nos anos 80 poucos alunos de origem holandesa. Abrindo a escola também para crianças que não são de origem holandesa, a escola conta hoje com 250 alunos, sendo dois terços de famílias brasileiras. Também há uma escola de ensino médio.

Brasileiros que não falam a língua holandesa tornaram-se membros da Igreja Evangélica Reformada quase que exclusivamente através de casamentos e formação de famílias. Esta influência cresceu tanto que, nos anos 90, ao lado do pastor holandês, também foi nomeado um pastor brasileiro. A comunidade eclesiástica é composta por aproximadamente cem famílias e a comunidade étnica holandesa conta com pouco mais de cem famílias.

A integração das famílias individuais na sociedade brasileira é bastante diferenciada. Embora a integração econômica entre em ação imediatamente através da contratação de funcionários e através da compra de insumos e venda de produtos, uma família mantém muito mais o pensar e agir em holandês do que a outra família.

Nos últimos 20 anos houve, também neste aspecto, constantes mudanças por causa dos estudos e viagens da juventude.

Em 2004 a colônia comemorou seu jubileu de 40 anos através de uma grandiosa festa, tanto na cidade como na colônia, e desde já está se preparando para o cinquentenário em 2010.

Luc Salomons

Fonte: Breve história das colônias holandesas no estado do Paraná. Livreto publicado pela Associação Cultural Brasil-Holanda. Coleção histórica nº 2. Coordenação: Johan E. Scheffer.

Arapoti – geschiedenis van één van de drie Nederlandse kolonies in de staat Paraná, die bekend staan onder de naam ABC-kolonies, waarbij A de kolonie Arapoti vertegenwoordigt.

 

Het begin van de hollandse kolonie in Arapoti vond plaats in het jaar 1959 doordat in dat jaar ongeveer 5.000 ha grond werd aangekocht voor het stichten van een derde protestantse emigrantenkolonie in Paraná. Het was de bedoeling dat niet alleen emigranten uit Nederland deze gemeenschap zouden bevolken maar dat er ook jonge boeren uit de bestaande nederlandse kolonies daar hun bedrijf zouden vestigen. In juni 1960 kwam de eerste groep emigranten uit Nederland aan. Voorbereidingen werden getroffen, door het bouwen van huizen en door percelen bouwland in cultuur te brengen.

Er werd geexperimenteerd met de rijstcultuur; maar door droogte en andere tegenslagen was dit geen succes en begon de meerderheid van de boeren toch al gauw met de melkveehouderij. In 1963 werd een melkfabriek geopend en in gebruik gesteld. En in centraal verband door de Coöp. Central de Lact. , zuivelproducten gemaakt en afgezet. Deze bedrijfsstak is de eerste 20 jaren dan ook wel de belangrijkste inkomstenbron geweest in de kolonie Arapoti.

Ook vanaf het begin hebben 3 basis-elementen in de gemeenschap de volle aandacht gehad, n.l: de cooperatie, de kerk en de school. Deze 3 instanties hebben het economische, culturele en het godsdienstige leven in de gemeenschap steeds in grote mate bepaald, en doet dit nog. Met dit verschil dat nu de braziliaanse taal en cultuur de boventoon voeren, in tegenstelling tot de eerste jaren, toen het nederlands op alle terreinen overheersend was.
Zoals elke groepskolonisatie in de beginjaren moeilijk is, was dit ook het geval met de nederlandse kolonie in Arapoti. Daarnaast heeft, door verschillende verkeerde inschattingen op financieel-economisch terrein, alsook door het terug lopen van de immigratie, wat niet was verwacht, de pioniersperiode veel langer geduurd dan wenselijk was en hierdoor bleef de gemeenschap te klein.

Een doorbraak ten goede kwam er in de jaren 70, toen de militaire regering allerlei gesubsidiëerde landbouwprogramma’s in werking stelde, om hier door te trachten ook Brazilië tot een modern landbouwland te maken. Ook de kolonie onder leiding van de CAPAL (Cooperativa Agropecuária Arapoti Ltda.) heeft daar tenvolle van geprofiteerd. Daarnaast of mede daardoor trad niet alleen een schaalvergrotin op bij de bedrijven maar werden naast de melveehouderij ook de varkens en slachtkuikens belangrijke productietakken.

Tegelijkertijd begon ook de akkerbouw op te komen. In de jaren 70 met sojabonen, in de jaren 80 met de maiscultuur en rond de jaren 90 met de verbouw van de bruine consumptieboon. We kunnen dan ook wel zeggen dat de akkerbouw nu de grootste bedrijfstak is in de kolonie. Niet alleen de kolonie heeft een groei- en ontwikkelings doorgemaakt, maar ook de ontvangende ongeving. Toen in 1960 de kolonie gesticht werd, was Arapoti een dorp van 700 mensen, terwijl het nu 21000 inwoners telt. Met tot op zekere hoogte “zelf-suporting” op alle terreinen van de maatschappij.

Naast de landbouw en veeteelt is er nu veel bosbouw in de ongeving met de daaraan verbonden papierfabricage en houtzagerijen. Als industriële consequentie van de landbouw en veeteelt expoïteert de CAPAL een veevoederfabriek en verzorgt de inkoop van zaaizaad en kunstmest en de afzet van de productie van plantaardige en dierlijke producten.

Ook de integratie van de nederlandse groep mensen in de braziliaanse samenleving heeft een belangrijke ontwikkeling doorgemaakt. Oorspronkelijk als een min of meer geisoleerde groep mensen, die probeerden een bestaan op te bouwen in een vreemd land, begon zich vanaf de aanvang al gauw een bepaalde manier van integratie te ontwikkelen op het economisch terrein. In hoofdzaak binnen de coöp, door de samenwerking met braz. functionarissen en door de in en verkoop. Door de economische doorbraak in de jaren 70, werd het ook regel dat brazilianen zich als lid aansloten en in het bestuur vertegenwoordigd waren. De evangelische particuliere kolonieschool, of “a escola de colônia holandesa “ kampte in de jaren 80 met een tekort aan leerlingen uit eigen gelederen. Door openstelling voor kinderen van niet nederlandse afkomst is het nu zo dat van de ongeveer 250 leerlingen, tweederde uit braziliaanse gezinnen komt. Ook is er inmiddels een “Segunda Grau” aan de basisschool toegevoegd.

Aangezien de Igreja Evangelica Reformada geen grote werfkracht blijkt te hebben onder de autochtone bevolking, werden practisch alleen door huwelijk en gezinsvorming, niet nederlands sprekende mensen lid van de koloniekerk. Wel bleek dit van zo grote invloed te zijn dat in de jaren 90, ook een braz. predikant naast de ned. sprekende aan de kerk verbonden is. De kerkelijke gemeenschap telt ongeveer 100 gezinnen en de etnische nederlandse gemeenschap iets meer.

De integratie in de braziliaanse maatschappij van de individuele gezinnen is heel verschillend. Hoewel de economische integratie direct in werking trad door het aantrekken van medewerkers en door de in en verkoop van alle boerenproducten en benodigdheden, bleef het ene gezin veel meer nederlands denken en contacten houden dan het andere. Hoewel de laatste 20 jaar door het studeren en uitzwerven van de jeugd, ook daarin veel verandering is gekomen.

Door al deze ontwikkelingen, deze “ups en downs”, kon de kolonie onder leiding van de CAPAL in het jaar 2000 haar 40-jarig jubileum vieren. Een uitbundig feest dat door de stad en kolonie ook alszodanig gevierd werd.

Maar de ontwikkeling gaat door, ook in deze gemeenschap en nu begint men te denken aan de voorbereidingen van het gedenken van de 50-jarige historie van de kolonie Arapoti in 2010.

Luc Salomons

Bron: Drie Nederlandse Kolonies in de staat Paraná – Brazilië. Uitgave van de Associação Cultural Brasil-Holanda. Coleção histórica nº 2. Samenstelling en vertaling: Johan E. Scheffer.