Grupo Folclórico Holandês de Castrolanda

Em 1953 foi organizado em Castrolanda um grupo de dança, liderado pela professora de Educação Física Thillij Kleinschmidt, a qual, em conjunto com jovens da colônia, formaram um grupo de danças holandesas, denominado inicialmente de “Grupo Holandês em Tamancos”.

O objetivo inicial do grupo, era a manutenção das práticas de danças folclóricas holandesas e a união dos membros da comunidade, não se limitando a uma única prática, na busca pelo conhecimento do conjunto de tradições e crenças que compõem a cultura, expressa em canções, danças, costumes, singularidades das diversas regiões e épocas. A Holanda é composta por doze províncias, cada uma carregada com suas particularidades culturais e regionais.
Nosso grupo adotou os trajes da região pesqueira de Volendam da província (Noord-Holland), Holanda do Norte.

Inicialmente as apresentações se concentravam na colônia, em festas e eventos comemorativos, a primeira grande apresentação que exigiu deslocamento dos integrantes, ocorreu em dezembro de 1953 na cidade de Curitiba, em um desfile de etnias, em comemoração ao Centenário de Emancipação do Estado do Paraná, no qual desfilaram acompanhados de um grande tamanco sobre um caminhão.

No ano de 1957, dois eventos marcaram a história do Grupo, o primeiro foi a participação no desfile do Centenário do Município de Castro, cidade em que se estabeleceram os imigrantes holandeses. O segundo evento, foi a saída da sra. Kleinschmidt, que devido ao seu frágil estado de saúde, transferiu seu cargo, a frente do grupo, para a Sra. Elizabeth van Lonkhuizen, esposa do pastor Van Lonkhuizen da IER de Castrolanda.

Desde o ano de 1959 acontece anualmente em Curitiba o Festival Folclórico e de Etnias do Paraná, voltado para a preservação da pluralidade étnica do estado. Com exceção do ano de 2013, o Grupo Folclórico participou de todas as edições do evento até o ano de 2019.

Em 1981 o grupo passa a ser oficialmente denominado Grupo Folclórico Holandês de Castrolanda, sendo registrado como entidade jurídica, regido por um estatuto e dirigido por uma diretoria eleita em Assembleia Geral. O objetivo do grupo nesse período se ampliou, estando além da manutenção das práticas, mas no estudo das tradições e crenças populares holandesas, além da divulgação dessa cultura de origem, presente em canções, trajes, danças e costumes regionais.

O Grupo Folclórico se apresentou em duas passagens da família real pela Colônia Castrolanda, a primeira em fevereiro de 1959, durante a visita do Príncipe Bernhard, esposo da Rainha Juliana da Holanda. A outra, foi a apresentação por ocasião da visita do então Príncipe Herdeiro dos Países Baixos, Willem-Alexander, em 1998. Willem tornou-se rei da Holanda, no ano de 2013, após sua mãe, a Rainha Beatrix abdicar do trono em seu nome.
Além do Grupo Folclórico adulto, existe em Castrolanda o Grupo Folclórico Infantil, formado em 2006, cujos participantes são alunos das aulas de folclore na Escola Evangélica da Comunidade de Castrolanda, os quais participam em diversas atividades e apresentações, muitas em conjunto com o Grupo Folclórico adulto.

A partir de 2018 o Grupo foi incorporado pelo Centro Cultural Castrolanda, para assim mantermos cada vez mais viva essa tradição e cultura da dança na nossa comunidade.

Enfim agradecemos a todas as pessoas (Diretorias, Coordenadores, Integrantes, Coreógrafos) que desde a sua fundação mantiveram viva essa rica tradição em nossa comunidade, e assim esperamos que possa continuar muitos anos.

Coordenação GFHC 2020:
Centro Cultural Castrolanda – Rafael Rabbers
Guilherme Sleutjes – Coordenação Geral
Andrea Los van Gastel – Figurino
Jacob Hendrik Spaa – Coordenação
Miriam Wanderbist – Coreógrafa
Margje Rabbers – Secretária

Fonte: Rafael Rabbers, Centro Cultural Castrolanda – Dez/2018

Membros do grupo folclórico acompanhados da Sra. Elizabeth van Lonkhuizen, líder do grupo a partir de 1957.
Fonte: Acervo Centro Cultural Castrolanda.

Apresentação folclórica dos imigrantes holandeses de Castrolanda em comemoração ao aniversário de Castro em 1957.
Fonte: Acervo Centro Cultural Castrolanda.

Grupo de danças folclóricas holandesas De Tulp – Não-Me-Toque

A história do Grupo de Danças Folclóricas Holandesas “De Tulp” segue a história da imigração holandesa e a formação da Associação Holandesa de Não-Me-Toque.

Os holandeses que no final da década de 40 começaram a chegar na região do Alto Jacuí no Rio Grande do Sul/Brasil, procuraram ao longo dos anos, preservar os costumes e tradições de seus antepassados, trazendo para a região que adotaram como lar um pouco da rica cultura de sua terra natal. Contribuíram para que principalmente Não-Me-Toque, onde a maioria das famílias holandesas se estabeleceu em 1949, se destacasse no Estado por sua diversidade cultural, e por este fato também Não-Me-Toque é considerado o berço da imigração holandesa no Rio Grande do Sul.

A organização social era uma necessidade na comunidade holandesa. Surgiu então, em setembro de 1955, “Na União a Força”, depois a “Associação Rural Neerlandesa” que reunidas formam oficialmente em 15 de agosto de 1992, a “Associação Holandesa de Não-Me-Toque”.

Além da culinária típica e do artesanato, os holandeses trouxeram para Não-Me-Toque a dança e através dela, garantiram a sobrevivência de tradições. Desde a imigração em 1949, por várias anos existiu o grupo de Dança Holandesa, mas em 1985, foi criado o Grupo de Danças folclóricas holandesas “De Tulp”, liderado pelos Pioneiros Marian Rietjens – Rauwers, Annie Souilljee – Eltink, Corrie van Riel, Betsi e Willy van Leishout. Atualmente as Coordenadoras são: Teodora Souilljee Lütkemeyer e Marijke van Schaik.

O objetivo primordial do grupo é manter ativo e preservar os usos e costumes tradicionais da Holanda e assim o nome escolhido – “De Tulp” provem da flor típica – a tulipa.

O grupo já teve vários trajes, sempre inspirados na vestimenta típica das Províncias da Holanda, como Zeeland, Friesland e Noord-Holland. Os tamancos de madeira, principal característica do traje típico holandês, parecem torturar os pés de quem os usa, mas são bem mais leves do que se imagina, pesam apenas 800 gramas.

A principal dificuldade enfrentada pelo grupo no início de sua trajetória foi conseguir os discos com as músicas do folclore holandês, que vinham da Holanda. Na época os discos de vinil vinham não só com a letra da música, mas com um manual dos passos para orientar a dança, facilitando o aprendizado. Depois vieram os Vídeos e os CDs. Hoje amparam-se no YouTube e outras formas digitais.

Depois de encantar muitas pessoas com suas apresentações, o grupo paralisou as atividades em 1992, sendo retomadas somente no ano de 1998. Com ensaios constantes e a dedicação dos participantes, o grupo em pouco tempo ultrapassou fronteiras, tendo participado inclusive de festivais internacionais como o Mercosul em Danças de Foz do Iguaçu-PR.

Durante a sua trajetória o Grupo apresentou-se nas seguintes cidades: Carambeí-PR, Porto Alegre, Gravataí, Esteio, Nova Petrópolis, Canela, Panambi, Ijuí, Guaporé, Erechim, Marau, Passo Fundo e tradicionalmente no Natal Étnico de Não-Me-Toque.

Atualmente o Grupo conta com 12 integrantes, sendo estes descendentes de holandeses e dançarinos do CTG Galpão Amigo, que é entidade parceira da Associação Holandesa de Não-Me-Toque.

As danças que fazem parte do repertório do grupo são bastante animadas e todas têm um significado especial, com movimentos que lembram hábitos do povo holandês. As principais danças são: Hakke-Toone, Boeren Plof, Omke Wobke, Rozenwals, Zigeunerpolka, Ammarilletje, Hopsa, Horlepiep, Baonopstekker, Almelose Kermis, Ijspolka, De Rozelaar, Driekusman.

Grupo “De Tulp” representando Friesland, 1995.
Fonte: Teodora Lutkemeyer

Grupo “De Tulp” com trajes da província de Zeeland, 1985.
Fonte: Fotolandia

Grupo infantil de danças típicas holandesas com traje de Noord-Holland, 1998
Fonte: Teodora Lutkemeyer

Grupo “De Tulp” com traje de Noord-Holland em 2020.
Fonte: Teodora Lutkemeyer

Folclore em Arapoti

Arapoti apresenta sua tradição folclórica holandesa em ocasiões especiais. Mesmo sem um grupo de dança oficial, as crianças descendentes de holandeses de Arapoti aprendem, além da língua holandesa, a vivência da cultura típica na escola holandesa. Algumas danças são ensaiadas para fazer apresentações em festivais folclóricos, festas juninas, festas no museu ou mesmo em festas na cidade de Arapoti.

A comunidade também desfruta de apresentações típicas através de uma escola de dança da cidade de Arapoti, cuja professora, Luana Cordeiro, é uma grande incentivadora das danças folclóricas. O grupo de alunos se dispõe a fazer apresentações de danças holandesas quando solicitado, com uso da vestimentas típicas, incluindo os tamancos de madeira.

Os primeiros grupos de danças folclóricas holandesas surgiram em Arapoti no ano de 2010, quando um grupo de adolescentes do Ensino Médio e outro de crianças do Ensino Fundamental capricharam para mostrar a cultura folclórica do país de origem em apresentações durante as festividades dos 50 anos da Colônia Arapoti. Os trajes especiais confeccionados pelas mães dos jovens demonstram o valor que as famílias dão à continuação da cultura holandesa para as gerações mais novas.

Quando recebe escolas visitantes na colônia, o colégio que se encontra no centro da vila holandesa, muitas vezes apresenta suas origens culturais para as crianças de outras escolas, favorecendo a troca de experiências e a valorização da cultura local.

Em diversos eventos como o Dia da Imigração Holandesa e outras comemorações históricas, jovens vestem os trajes típicos holandeses e esbanjam entusiasmo e orgulho de sua tradição folclórica e herança cultural holandesa.

Dançarinos em formação representam a cultura holandesa na comemoração dos 50 anos da Colônia Arapoti.
Fonte: Janet Bosch

Crianças da Escola Holandesa prontos para uma apresentação folclórica em 2011.
Fonte: Janet Bosch

Integração escolar e cultural em Arapoti conta com apresentação folclórica holandesa, 2010.
Fonte: Janet Bosch

Escola de dança apresenta danças folclóricas holandesas no Dia do Imigrante em 2019.
Fonte: Janet Bosch